sexta-feira, 3 de junho de 2016

[Entrevista] Ciberpajé e Léo da Heresia concedem entrevista sobre o processo criativo do EP "Heresia Cósmica" - Confira!

Há alguns dias foi lançado online pelo selo LUNARE MUSIC o novo EP do projeto musical Ciberpajé intitulado "Heresia Cósmica" que surgiu a partir do encontro do Ciberpajé com o artista ancestro-rebelde Léo da Heresia. Saiba mais sobre o lançamento - e ouça - AQUI. Heresia e o Ciberpajé conheceram-se em um ritual artístico tecnoxamânico - do qual os dois participaram como convidados - que aconteceu em Brasília organizado pela galeria deCURATORS e pela "Rede Tecnoxamanismo". O EP, com apenas 3 dias de lançado já contou com diversas resenhas e comentários entusiastas de artistas e apreciadores da arte iconoclasta e underground. Eu (Danielle Barros IV Sacerdotisa) como sempre, fiquei curiosa para saber detalhes sobre o encontro desses artistas, como surgiu a ideia do EP, e como foi o processo criativo da "Heresia Cósmica" e compartilho com vocês a entrevista (elaborei as questões para ambos responderem) que fiz com Léo da Heresia e o Ciberpajé! Confiram!

(Foto: Mathew Weeb)

1- Como se deu o encontro entre o Ciberpajé e Léo da Heresia e a ideia dessa parceria musical?
LEO DA HERESIA: Legal responder essa pergunta, pois tem pelo menos duas versões: uma histórica e outra pós-histórica. Na versão histórica a parceria musical surgiu, no tempo, pós-encontro tecnoxamânico na deCurators, em meados de abril de 2016, e no espaço, eu em BSB (Brasília-DF), Edgar em Gyn (Goiânia-GO), onde conhecemos os trampos sonoros e ruidocráticos um do outro: enquanto eu ouvia ins(pirada)mente o Posthuman Tantra e os EPS do projeto “Ciberpajé”, o Edgar ouvia, não menos ins(pirado), meu cybIO53 al-5u1uk. E nestas nossas audiências simultâneas foi surgindo um fantástico diálogo ruidoso e multimodal pós-histórico. Pois tal estava acontecendo em uma outra realidade que estávamos engajados a criar realidade esta fragmentada em dimensões fracionadas, como o punk pós-máquinas, a anarquia de todas as espiritualidades, a pajelança ciborgue, os existenciais pós-humanos, o humanismo sem biologia e os aforismos ciberpajenianos extemporâneos.

CIBERPAJÉ: Certos encontros são conjunções astrais de mentes e corações que trafegam por universos paralelos, mas que tangenciam. Conheci Léo em um ritual tecnoxamânico em Brasília para o qual fomos ambos convidados e ouve uma identificação imediata de nossos ideários e visão estética e poética. Somos dois párias underground, criadores de multiversos e quando ocorreu o encontro, e tive a chance de aprofundar-me na obra de Heresia, conhecendo alguns de seus zines e CDs, tive certeza que criaríamos novos universos juntos. "Heresia Cósmica" é o fruto inicial dessa parceria!

(Foto: Mathew Weeb)

2- Qual o conceito geral deste EP, se é que existe tal conceito?

LEO DA HERESIA: Na minha negríndia ingenuidade punk e anarquista, eu pensava que ambos me eram rótulo, “conceitos” fundidos à “preconceitos”. No entanto, hoje, em minha negríndia maturidade punk e anarquista, penso que ambos me são horizontes. E como tais são infinitos, pois nossos olhos nunca conseguem alcançar seus limites. Desse modo, se o que você chama de “conceito” é algo como o que penso ser “horizonte”, sim. No EP há um conceito|horizonte: a esquina da curvatura pós-espaçotemporal onde um pUNk[A]l_sUlUk, em sua jornada final rumo ao :(){ cEmiTériO:|:de:|:elePUNKes }; encontra o CibeRPajÉ e este lhe faz um magnífico pedido irrecusável, uma orgulhosa tarefa mais do que prazerosa: escolher 4 dentre os tantos de seus aforismos e lhes atribuir os ancestro-ruídos que, para mim, lhes for ambiência.

CIBERPAJÉ: A ideia central foi que Léo selecionasse alguns de meus aforismos que o inspirassem para que eu gravasse minha voz e depois ele os (a) musicasse com seu estilo único de ancestronoise. Ao ver a seleção dos aforismos, percebi essa verve geral cósmico-punk do conjunto aforístico e me veio imediatamente o nome do EP "Heresia Cósmica". Também tive a ideia de escrever o aforismo exclusivo para a intro do EP e pedi a Léo que gostaria de ter o seu vibrante e ruidoso berimbau elétrico nessa faixa.

 Capa do EP Heresia Cósmica - arte do Ciberpajé
Um dos encartes do EP

3- Conte-nos como foi o processo criativo das faixas para o EP: Como se desenrolou a parceria, quais elementos musicais foram utilizados na confecção e arranjos. E quanto à arte da capa, como surgiu a ideia para essa imagem emblemática?
LEO DA HERESIA: Pois bem, como anunciei na resposta anterior... Me preparei para a adorável escolha|coleta, me nutrindo de uma saborosa cerveja preta artesanal, ouvindo Posthuman Tantra e com eu interesse anarcoindividualista solidário aguçado, acessei a página “Aforismos do Ciberpajé”. Já fui logo procurando uma chave que me desse acesso às pontes, ou os tentáculos, entre alguns aforismos. Encontrei um/a bem fodona: a grande política cósmica do ciberpajé! Precisamente o “aforismo I” que compõe a “Heresia Cósmica”! Depois, eu e o Ciberpajé seguimos trocando as mais diversas ideias. Com isso nossa ins|pirada afin|ação dissonante foi só se consolidando: a liberdade plena. O Ciberpajé me deixou muito confortável para exercitar minhas invencionices. Isso foi o mais belo ato de confiança: conceder dadivosamente seus mais valiosos pensamentos à pirataria libertária da ruidocracia punk e anárquica.

CIBERPAJÉ: Gravei as vozes com a entonação que quis e então Léo teve total liberdade para criar a ambiência sonora nessa poderosa e libertária confluência de ideias e essências. Léo teve liberdade inclusive para desmembrar certos aforismos e repetir certas frases que achou importantes no contexto de sua sonorização. O resultado final foi surpreendente para mim. A capa me veio durante a audição final da obra, criei-a em um "ritual de presença". Um processo magicko em que deixei fluir do inconsciente cósmico a imagem sem censurá-la, desenhei-a em menos de cinco minutos nesse transe. Achei simples e efetiva ao unir a imagem luciferiana do ser de cornos ao emblemático moicano punk. Acho inclusive que funcionará bem numa camiseta.

(Foto: Mathew Weeb)

4- Quais inspirações te influenciaram na composição das faixas e aforismos? 
LEO DA HERESIA: Sim, minhas ins|pirações! Adoro falar delas. Então ai vai mais uma introduçãozinha: em meu projeto anterior, o cYbIO53 al-5u1uk, eu quis fazer experimentos com uma sonoridade de instrumentos eletroacústicos com elementos da sonoridade afro, indígena, cigana e ruídos urbanos. Foram experimentos muito impuramente metafísicos, estranhamente contemplativos. Deles fiz uma pequena bagagem de memória, paradoxalmente, recente. Mas como sou muito inquieto, eu queria trazer minhas raízes punks mais presentes, daí nasceu “pUNk[A]l_sUlUk”: se para o/a punk não há futuro, este ao/à punk pertence. Assim, com essa bagagem e horizonte fui coletando fragmentos dos múltiplos espíritos profanos que compunham cada aforismo do Ciberpajé, para a partir deles compor as faixas, como sons de moscas, de ratos, uivos de lobos, urros de funerais indígenas. Daí fui montando e compondo com a bateria punk, as batidas de breakcore, o chocalho e o berimbau, ambos com pedal de distorção, e uma centena de ruídos e trecho de outros instrumentos pirateados pelos hiperoceano da internet.

CIBERPAJÉ: Os aforismos do Ciberpajé, são sentenças (a) morais baseadas em minha experiência pessoal cotidiana vivenciando minhas realidades imanentes e transcendentes. Eles já somam mais de 2000, são escritos quase que diariamente e o único crivo que estipulo é falar sempre de coisas que eu EXPERIENCIO pessoalmente, e não tratar de coisas que não vivi, nada de teorizações. O aforismo I é um líbelo sobre a espiritualidade de minha arte, sobre sua completa verve transcendente e da revolução individual como a forma mais eficaz de política. O aforismo II trata da decadência absurda de todo o ideário e personalidades midiáticas; já o aforismo III trata de minha experiência com o veneno dos dogmas, causa de todas as guerras e do ódio entre os seres. O aforismo IV que fecha o EP é sobre o jogo cotidiano das energias e sobre seres torpes que não conseguem criar sua própria energia e vivem de surrupiar a alheia.

(Foto: Mathew Weeb)

(Foto: Mathew Weeb)

5- Quais os novos projetos dessa dupla Ciberpajé e Léo da Heresia? 
LEO DA HERESIA: Uau! Adorei esta pergunta! Porque ela é tanto uma intimação quanto uma evocação! Pôr, propor e compor! hahaha então... Novos projetos... históricos ou pós-históricos? ... hum... não sei se devo revelar algo sobre o futuro... ok, tudo bem! revelarei! infelizmente não haverá novo projeto algum... pois a história acabou faz tempo! no entanto... felizmente! e não com uma alegria qualquer! mas sim com uma alegria cthulhuliana pogando em uma gig anarc@punx contra o agronegócio e a gentrificação! hahaha estamos preparando outros fantásticos ancestro-anti-projetos em rebeldia! aguardem! Uma curiosidade: "Léo da Heresia" surgiu quando o facebook não permitiu que eu colocasse "amante da heresia". mas isso é um outro causo! hahaha Muito obrigado IV Sacerdotisa Danielle Barros por esta adorável oportunidade de trocar ideias contigo sobre essa tão gratificante e feliz parceria! é nois(e)! tamujuntx! Abração!

CIBERPAJÉ: Temos infinitas heresias cósmicas para com nossos ruídos astrais abalarmos as estruturas corroídas do status-quo pré-apocalíptico que nos envolve. Somos arautos do "caos & amor"!

Eu é que agradeço a oportunidade de entrevistar essas duas feras da criação!!!  IV Sacerdotisa

Visite o site da Lunare Music




OUÇA AGORA O EP "Heresia Cósmica" AQUI 







Para conhecer a arte do Ciberpajé acesse: http://ciberpaje.blogspot.com.br/
Para conhecer mais da arte do Leo da Heresia, acesse: https://www.facebook.com/leo.pimentel.5059?fref=ts