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domingo, 29 de dezembro de 2024

Entrevista concedida pelo projeto Papo de Mulher a Fernanda Macedo sobre a publicação de capítulo de livro

 


1. Como surgiu a ideia de criação do capítulo, e em quais pontos que resolveram focar para abordar questões sensíveis relacionadas à saúde feminina? 

O capítulo intitulado “Fotonovelas sobre vida, saúde e sexualidade feminina: Produções autorais no contexto da Educação Popular em Saúde (Projeto Papo de Mulher - UFSB/PROEX)” de autoria de Danielle Barros (coordenadora do projeto) e Evllin Sousa Cardoso Oliveira (bolsista), foi um relato de experiência de uma oficina de fotonovela realizada no âmbito do projeto de extensão Papo de Mulher, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), e surgiu a partir da apresentação de trabalho no congresso VI Fórum Nacional de Pesquisadores em Arte Sequencial (VI FNPAS), em 2022.  

O livro denominado “O saber em quadrinhos: pesquisa, práticas e produção de conhecimentos, volume 1”, reuniu os artigos aprovados e apresentados no VI FNPAS. A publicação possui conselho editorial e científico e constitui-se uma iniciativa da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS) em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Quadrinhos (NuPeQ), da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). O livro pode ser baixado gratuitamente no site da ASPAS, nosso capítulo começa na página 104 até a página 123: https://drive.google.com/file/d/1FoVvshADgWupb4VoZSQhE3kqbMzRoV0q/view

A escolha dos assuntos de cada fotonovela ficou a critério de cada autora. Mas antes de falar sobre os temas das produções das participantes, vou explicar um pouco como foi realizada a oficina: Organizada em dois encontros síncronos e um assíncrono entre eles, os síncronos aconteceram por meio do Google meet devido às exigências sanitárias (COVID-19) que ainda estavam em vigor, em março de 2022. A oficina contou com 09 participantes de cinco diferentes estados (RJ, SP, MG, GO, BA), com pluralidade de formações acadêmicas como Ciências Biológicas, Química, Pedagogia e Medicina. No primeiro encontro (síncrono) apresentamos a conceituação das fotonovelas; relação das fotonovelas com a educação; direitos das mulheres quanto à autonomia, saúde e sexualidade; espaço para momento interativo das participantes com apreciação de fotonovelas antigas, memes, charges, cartuns e posts para reflexão de estereótipos, violências, conquistas, lutas, e do “lugar” da mulher na sociedade, em suas diferenças e vivências interseccionais no contexto histórico-social; discussão sobre aspectos técnicos de enquadramentos, cores e roteiro das fotonovelas; aproximações com a linguagem em quadrinhos; passo a passo para construção das fotonovelas tanto de forma digital quanto impressa; aspectos éticos com solicitação de autorização para o uso das imagens. No segundo encontro (assíncrono) foi criado um grupo no Whatsapp para orientações e colaborações mútuas, compartilhamento de ideias, indicações de materiais e ferramentas virtuais a serem utilizados pelas participantes durante as suas criações das fotonovelas. Nesse momento houve a produção propriamente dita das fotonovelas. No terceiro encontro (síncrono) houve o momento de socialização das fotonovelas criadas em que cada participante apresentou a sua ideia, suas histórias, processos de criação, estratégias criativas e narrativas, inspirações e desafios durante a execução. Por último, todas as participantes avaliaram a oficina através de um formulário online. A oficina teve certificação de 12 horas. 

Com a oficina finalizada em março de 2022, coube à equipe do projeto reunir as fotonovelas em um zine coletivo montado em formato digital e disponibilizado na plataforma Google drive em pdf para download gratuito. As fotonovelas ficaram muito  legais, você pode baixar o zine aqui - Papo de Mulher: Almanaquezine de Fotonovelas: https://www.canva.com/design/DAFMuuNWjHA/jOmhhCVrxTsmXGHUhnbPZg/edit?utm_content=DAFMuuNWjHA&utm_campaign=designshare&utm_medium=link2&utm_source=sharebutton 

O zine Papo de Mulher teve uma repercussão tão incrível, que para nossa surpresa ganhamos até uma premiação nacional! Após votação popular (o qual nem sabíamos que estávamos concorrendo), a publicação ganhou o troféu Angelo Agostini, na categoria fanzine, no dia 30 de janeiro de 2024, Dia do Quadrinho Nacional.

Em sua 39ª edição, a Premiação é uma iniciativa da Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC) e celebra as melhores produções no âmbito das histórias em quadrinhos no Brasil. A celebração com o anúncio de vencedores do Troféu Angelo Agostini aconteceu em cerimônia on-line ao vivo através do canal da AQC no YouTube no dia 30 de janeiro de 2024, e as vencedoras receberam um diploma. Na ocasião, participaram cartunistas e quadrinistas de grande importância nacional como Laerte Coutinho, Bira Dantas, Helô D’Angelo, Laudo, Adriana Melo, Nilson Azevedo e muitos outros. Neste post você pode acessar o link da premiação: https://ivsacerdotisa.blogspot.com/2024/01/papo-de-mulher-ganha-premio-nacional-no.html 

 


Papo de Mulher tem 24 páginas coloridas, a capa, em seguida duas páginas com as fotos e breve descrição das autoras, escrita por elas mesmas. Em seguida uma página com breve introdução sobre a publicação, no contexto do projeto de extensão. Posteriormente o sumário, e na sequência, cada uma das fotonovelas. Nas páginas finais inserimos uma proposta “Que tal criar sua própria fotonovela?”, com o objetivo de fomentar que o público, seja da área da educação ou qualquer pessoa interessada no tema, possa criar sua própria história ou aplicar em suas práticas pedagógicas. 

Na capa final, o expediente com informações da publicação (autoria, ano, local, projeto/instituição) e QR Code para acesso digital. Além disso, uma tiragem impressa de 60 unidades foi montada artesanalmente pela equipe do projeto, cujos exemplares foram enviados via correio para as autoras das fotonovelas e distribuídos em um evento internacional, como uma ação de “pré-lançamento” durante o XVI Congreso de la Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación (ALAIC), em Buenos Aires (Argentina), na oportunidade da apresentação de outro trabalho de pesquisa realizado sobre o tema, intitulado: “Mapeamento da utilização de Fotonovelas na educação e comunicação em saúde”, em setembro de 2022. Viramos notícia no Correio do Estado da Bahia: https://correiodoestadobahia.com.br/?p=6452 

O lançamento oficial do zine ocorreu através de uma Live no Youtube pelo canal Ciarte em novembro de 2022 contando com a presença da maioria das autoras e certificação de presença (2 horas). Se quiser assistir o lançamento, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=zUCgSp1tnCs&t=10s  Além disso, o projeto participou da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia com uma Exposição científica  em forma de banner, em evento presencial no Campus Paulo Freire, novembro de 2022. 

Voltando a falar sobre as temáticas das fotonovelas escolhidas por cada autora, a publicação apresenta a pluralidade das perspectivas quanto às diferentes vivências do papel da mulher e sua autonomia no meio social abordando temas diversos como: saúde da mulher negra; aleitamento materno; políticas públicas e pobreza menstrual; infância; relações amorosas e familiares abusivas; saúde mental; e assédio moral e sexual no mundo acadêmico.


2. Quais foram os principais desafios enfrentados durante o processo de produção do capítulo?  

Como comentei em uma outra entrevista, um dos maiores desafios que temos enfrentado é administrar o tempo com as demais tarefas da vida. Tanto eu quanto a bolsista Evllin, que é estudante de Medicina da UFSB, temos uma rotina muito sobrecarregada. Nesse sentido, executar os planos de trabalho do projeto de extensão, que envolve: planejar, realizar oficinas, elaborar materiais educativos, divulgar as ações, avaliar as atividades, tabular os resultados coletados, escrever manuscritos para publicação, elaborar relatórios, entre outras atividades, sempre atendendo a prazos curtos, tem sido um dos principais desafios. 

Por outro lado, é inegável a importância da comunicação científica, ou seja, fazer com que os dados e resultados do projeto de extensão cheguem à comunidade acadêmica e também atravessem os muros da universidade. Portanto, mesmo em meio a todas as demandas de docente em regime de dedicação exclusiva da UFSB, - que assim como outros colegas, atuo como membro em colegiados, comissões, grupos de trabalho, coordenações, consultorias, reuniões, oriento estudantes, além do preparo e realização de aulas, correção de trabalhos participação em congressos, apresentação de palestras, tudo isso ocorrendo em simultâneo às demandas pessoais e familiares, - é necessário publicar e divulgar o projeto e os resultados de forma ampla e em diversos âmbitos, tanto acadêmicos (em forma de capítulos, livros, artigos, congressos) quanto em ambientes fora da universidade: nas praças, exposições culturais, em rádios, em mídias alternativas, fanzines, rodas de conversas, etc.

 


3. Como vocês avaliam o impacto das fotonovelas na conscientização e no empoderamento das mulheres em relação à sua própria saúde e bem-estar?

Durante revisão de literatura realizada pela equipe do projeto na etapa de elaboração do material de apoio (slides) da oficina, verificamos de forma recorrente a constatação de que, embora existam iniciativas com o uso fotonovelas na educação, as pesquisas acadêmicas sobre o tema ainda são pouco frequentes no Brasil. No entanto, diversas pesquisas acadêmicas na literatura internacional atestam que as fotonovelas têm sido utilizadas com populações na educação em saúde para comunicar mensagens sobre diversos temas como HIV, tuberculose, depressão, doença de Alzheimer, obesidade, câncer de mama, entre outros. Alguns pesquisadores e pesquisadoras afirmam que o que tornam as fotonovelas singulares no contexto da comunicação em saúde é que elas incorporam elementos visuais chamativos, aspectos culturais e texto de compreensão simples, com mensagens educacionais inseridas em uma história cômica e/ou dramática, com personagens em circunstâncias cotidianas as quais o público pode se identificar e se sensibilizar sobre questões de saúde, promoção da saúde e combate a estigmas. 

Na oficina relatada no capítulo de livro em questão foram 8 histórias elaboradas por (autoria/título): Aline Baffa (“Red Flags”), Ana Basaglia (Era uma vez), Andréa Rocha (Saúde da Mulher Negra), Ane Cattariny Nossa (Como nosso passado deteriora o futuro!), Danielle Barros (Sentindo na pele), Evllin Oliveira (A professora do B-A-BÁ), Jéssica Souza (Criança tem que ser criança) e Thina Curtis (É coisa de mulher). Os resultados decorrentes das avaliações realizadas durante o projeto denotam relevância da iniciativa, foi unânime, dentre as respostas das participantes, os seguintes posicionamentos: consideraram-se satisfeitas com a oficina; afirmaram que o conteúdo foi pertinente para discussão; concordaram que usufruíram de um espaço diálogo para discussão e que os temas discutidos foram do seu interesse. Quanto à organização do material, 71,4% se considerou muito satisfeita e 28,6% satisfeita. Em relação ao tempo dos encontros: 85,7% consideraram suficiente e 14,3% sugeriu disponibilizar maior quantidade de encontros síncronos para discussão. Sendo assim, a oficina de fotonovelas foi uma forma enriquecedora de iniciar as atividades do projeto, possibilitando uma interação horizontal com as participantes que tiveram liberdade para expressar suas ideias acerca de diversas temáticas pertinentes para si mesmas. O compartilhamento dos processos criativos de cada uma e suas diferentes vivências permitiu a construção de conhecimentos e fonte inspiradora para trabalhos pedagógicos, acadêmicos, artísticos, pessoais, dentre outros, segundo falas das participantes.

Portanto, nós da equipe do projeto temos a percepção nítida que a forma leve e lúdica que propomos as discussões contribuíram para sensibilizar e discutir temas relacionados à saúde e bem-estar de cada mulher. Aqui concebemos a saúde de uma forma ampla, aquela que considera aspectos psicossociais e os determinantes sociais da saúde, ou seja, “papo de mulher” são assuntos que consideram: fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos, ambientais;  políticos;  governamentais;  culturais e subjetivos que afetam positiva ou negativamente a saúde e a vida de cada uma de nós.


4. Qual é o papel das fotonovelas na abordagem interdisciplinar da saúde feminina, considerando aspectos como meio ambiente, estilo de vida e condições socioeconômicas?

As fotonovelas são publicações sequenciais que unem a linguagem das histórias em quadrinhos e fotografia, que, através de fotografias justapostas com balões de diálogos, apresentam dramas narrativos com romances, amizades, histórias de sofrimento e superação, etc. Essas publicações surgiram na Itália após a Segunda Guerra Mundial, e no Brasil, chegaram à década de 1950, como produto da indústria cultural e comunicação de massa, derivada da indústria do cinema. Nessas fotonovelas era comum uma abordagem geralmente apresentando uma heroína de origem humilde que busca um amor inacessível, repletos de obstáculos de ordem social, dilemas éticos e amores proibidos, alcançando seu ideal de felicidade ao final da trama. As personagens tinham características psicológicas apresentadas de forma superficial, e em geral, estereotipadas. Segundo a pesquisadora Raquel Miguel, essas revistas eram taxadas como "subliteratura", bobagem, leitura vazia, "leitura de mulher", ou seja, atrelando algo supostamente ligado ao “universo feminino” como algo de menor importância. 

Segundo a pioneira nos estudos sobre fotonovelas, a pesquisadora Angeluccia Habert, o que torna a fotonovela um objeto de abordagem sociológica não ocorre por suas particularidades expressivas ou sua constituição como linguagem em si, mas por serem produtos de uma indústria cultural e veicularem conteúdo consumido cotidianamente por um grande público, ou seja, por constituírem-se um fenômeno da cultura de massa. Nesse sentido, de acordo com a autora, a fotonovela ou qualquer outro meio de comunicação de massa não deve ser compreendida como uma produção de origem popular, ou seja, como produção a partir de grupos sociais desvinculados ao poder. 

Porém, em nosso projeto de extensão as fotonovelas não estão situadas na acepção que Habert refere-se, enquanto comunicação de massa, e sim como uma apropriação da fotonovela enquanto linguagem no contexto da educação popular em saúde. Em nosso contexto, as fotonovelas compuseram um fanzine coletivo, sendo produções autorais e independentes que não se configuram como produtos comunicacionais de “reprodução de poder” do mercado editorial. 

Dessa forma, propomos a “subversão” do conceito original de fotonovela, ao nos apropriamos da mesma como linguagem aplicando-a a uma abordagem educacional dialógica e popular, desta vez, refutando a reprodução de preconceitos e estereótipos, propiciando o protagonismo das mulheres que puderam ser autoras, designers, roteiristas, fotógrafas e escritoras de suas próprias histórias, com temas pertinentes às suas escolhas, de acordo com seus contextos de vida, motivações e inquietações.

 

5. Pretendem dar seguimento ao capítulo, em novos projetos, seguindo o mesmo raciocínio sobre vida, saúde e sexualidade feminina?

 

Cada capítulo, artigo, apresentação de trabalho são comunicações e divulgações científicas com os resultados parciais e sempre em andamento do nosso projeto de extensão.  Portanto estaremos sempre dando seguimento! Inclusive o presente projeto hoje intitulado “Papo de Mulher na Educação Científica: Proposições de práticas pedagógicas lúdicas e decoloniais para o ensino de ciências e saúde” (Edital 04/2023 Proex UFSB) é uma continuação do projeto, criado em 2021 chamado “Tecendo Diálogos e Reflexões sobre Saúde e Sexualidade entre Mulheres através de Fanzines” aprovado em edital da Extensão Popular da Universidade Federal do Sul da Bahia (PROEX-UFSB), campus Paulo Freire, apelidado por votação popular como Papo de Mulher. 

O foco atual do projeto é ampliar o alcance e as temáticas, promovendo diálogos interdisciplinares e interseccionais, propondo reflexões de práticas pedagógicas e elaboração de materiais educacionais lúdicos na mediação de conhecimentos, como jogos didáticos, fotonovelas, quadrinhos, fanzines, lambe arte, entre outros, para contribuir para efetivação de abordagens de ensino decoloniais, feministas e antirracistas, no âmbito da saúde e da ciência. O objetivo geral do projeto de extensão consiste em elaborar, aplicar e avaliar proposições de práticas pedagógicas lúdicas e decoloniais para o ensino de ciências e saúde, com enfoque em temáticas interseccionais relacionadas à saúde da mulher, sexualidade e relações étnico-raciais, através de oficinas e materiais educativos que articulam saberes populares e científicos, conforme metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU.

Esse ano temos algumas oficinas a serem realizadas, participações em congressos e manuscritos já aceitos para publicação. Em agosto iremos apresentar dois trabalhos no congresso internacional, na Universidade de São Paulo (USP): 8as. Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos! Os trabalhos são: “Práticas Pedagógicas lúdicas através de Fotonovelas para o ensino decolonial em Ciências e Saúde” autoria de Evllin Sousa Cardoso Oliveira (bolsista) e eu. E o trabalho “Processo criativo da elaboração de Fotonovela sobre Primeiros Socorros com foco em desengasgo para aplicação em escolas da Educação Básica” em coautoria com Samuel Bomfim, bolsista do outro projeto de extensão “Primeiros Socorros nas Escolas” (Edital 03/2023).

Nós do projeto Papo de Mulher agradecemos a oportunidade de divulgar nosso trabalho! E para que vocês possam acompanhar as novidades e se inscreverem nas nossas próximas ações, convido a seguirem nossa página no instagram!  https://www.instagram.com/papodemulherufsb/ 

 


Veja outras notícias do projeto:

Vencedores do 39º Troféu Angelo Agostini https://aqc-sp.com.br/2024/01/30/vencedores-do-39o-trofeu-angelo-agostini/   

Professora Danielle Barros (UFSB) participa do congresso 7as. Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos na USP com apresentação de trabalho e lançamento de livro https://ivsacerdotisa.blogspot.com/2023/09/docente-da-ufsb-participa-do-congresso.html

Professora da UFSB (Campus Paulo Freire) apresenta trabalho em congresso na Argentina https://correiodoestadobahia.com.br/?p=6452

Projeto de extensão desenvolve fotonovelas para comunicar sobre educação em saúde https://ufsb.edu.br/ultimas-noticias/3831-projeto-de-extensao-desenvolve-fotonovelas-para-comunicar-sobre-educacao-em-saude

Projeto de Extensão "Papo de Mulher" ganha Prêmio Nacional no 39° Troféu Angelo Agostini https://ufsb.edu.br/ultimas-noticias/4449-projeto-de-extensao-papo-de-mulher-ganha-premio-nacional-no-39-trofeu-angelo-agostini

Papo de Mulher presente na exposição fotográfica da história dos 10 anos da Universidade Federal do Sul da Bahia https://ivsacerdotisa.blogspot.com/2024/02/papo-de-mulher-presente-na-exposicao.html

Papo de Mulher ganha Prêmio Nacional no 39° Troféu Angelo Agostini https://ivsacerdotisa.blogspot.com/2024/01/papo-de-mulher-ganha-premio-nacional-no.html

Papo de Mulher (UFSB) recebe Prêmio Nacional no 39° Troféu Angelo Agostini https://correiodoestadobahia.com.br/?p=10715

ASPIANA É CONTEMPLADA COM TROFÉU ANGELO AGOSTINI https://blogdaaspas.blogspot.com/2024/02/aspiana-e-contemplada-com-trofeu-angelo.html


quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Entrevista concedida à Assessoria de Comunicação da UFSB sobre o projeto Primeiros Socorros nas Escolas

Entrevistada: Professora Danielle Barros

Por: Heleno Rocha Nazário Jornalista - Mestre em Comunicação Social (PPGCOM/PUCRS) Coordenador do Setor de Jornalismo - ACS


Como funciona o projeto homenageado? (veja aqui a notícia sobre recebimento de Moção de Congratulação recebida na Câmara de Vereadores  de Teixeira de Freitas)

R- O projeto Primeiros Socorros nas Escola, do Edital Proex 03/2023 - “Ufsb Com a Escola Pública” tem como principal objetivo promover, através de materiais e ações educativas, a capacitação da comunidade escolar sobre primeiros socorros, com ênfase em episódios de engasgos, com intuito de sensibilizar acerca da prevenção deste acidente evitável e instruir sobre a técnica correta da manobra necessária para a ocasião. Atuamos através de ações educativas por meio de palestras e oficinas em parcerias com escolas da educação básica e elaboramos materiais educativos.

 

Em quais escolas o projeto de primeiros socorros está funcionando?

R- Neste primeiro ano de atuação, o projeto atendeu diretamente duas instituições de ensino da rede pública de Teixeira de Freitas: o Colégio Estadual Democrático Ruy Barbosa, onde funciona o Colégio Universitário (CUNI) da UFSB e o Colégio Estadual Professor Rômulo Galvão (CEPROG). Nossas palestras também atenderam outros públicos, como professores da rede pública de ensino e servidores públicos municipais, através de uma parceria com a Secretaria de Saúde da prefeitura de Teixeira de Freitas. Além dos estudantes da educação básica, nossas palestras e oficinas também contaram com alunos de universidades e público da comunidade em geral, pois a ideia é que os conhecimentos sobre o tema cheguem ao maior número de pessoas possível.

 

Quantas pessoas foram beneficiadas pelas atividades extensionistas do projeto?

R- As ações realizadas tanto nos colégios quanto em espaços para a população em geral já somam mais de 400 pessoas diretamente beneficiadas pelas atividades, não estimando as pessoas impactadas de forma indireta através dos materiais entregues nas palestras, divulgados via redes sociais nem a reprodução do conhecimento pelos participantes das palestras.

 

Que técnicas são ensinadas e quais os riscos mais focalizados pela equipe do projeto?

R- Durante as ações desenvolvidas, o bolsista instrui teoricamente sobre os tipos de engasgo, abordando situações de engasgo parcial e total, juntamente com anatomia e fisiologia da deglutição, sempre de uma forma acessível e até bem-humorada, com exemplos cotidianos, sem utilizar uma linguagem demasiadamente “técnica”. As situações são contextualizadas de acordo com o cotidiano da audiência, como ambientes escolares, refeitórios e até mesmo domicílios.

O bolsista orienta como proceder diante de um acidente de engasgo, orientando sobre o contato com socorro especializado, como 193 - Corpo de Bombeiros,192 - SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e 190 - Polícia Militar, sobre a forma correta de abordar a vítima e realizar a Manobra de Desengasgo (Heimlich) e em casos mais graves realização da ressuscitação cardiopulmonar (RCP) até a chegada do socorro especializado.

As demonstrações são realizadas através de uma parte prática, utilizando simulação com bonecos envolvendo a participação do público, o qual tem a oportunidade de praticar as manobras e tirar dúvidas posteriormente. O projeto tem uma parceria com o 18º Grupamento do Corpo de Bombeiros, que participou de algumas palestras, com foco na parte prática, ensinando e demonstrando estas técnicas de primeiros socorros.

Por fim, nas ações, disponibilizamos materiais educativos elaborados pelo projeto, como panfleto impresso com orientações de desengasgo em criança e adultos e a fotonovela “Vidas em Jogo” com a história “Piada Indigesta”, que por enquanto está disponível apenas digitalmente para download gratuito, e futuramente faremos uma tiragem impressa para aplicação e avaliação nas escolas da educação básica do município.

 

O que motivou a criação e implantação do projeto extensionista?

R- Em espaços escolares, as primeiras pessoas que irão testemunhar situações que exigem o uso de técnicas de primeiros socorros serão os próprios estudantes e os funcionários da instituição, logo, há a clara importância de os mesmos saberem realizar as técnicas básicas, conforme a situação, até a chegada de um profissional socorrista.

Existe uma lei, a Lei Lucas (13722/18), sancionada em 4 de outubro de 2018, que tornou obrigatória a preparação em primeiros socorros de professores e funcionários de ensino privado e público de educação básica e de estabelecimentos educacionais, porém, na prática, os estabelecimentos brasileiros não estão preparados. Esta Lei surgiu em decorrência de uma fatalidade que ocorreu no ano de 2017 com um menino de 10 anos de idade, Lucas Begalli, estudante de uma escola particular de Campinas/SP, onde, durante um passeio escolar, sofreu engasgamento com cachorro quente e morreu, o que poderia ter sido evitado se tivesse alguém capacitado em fazer uma simples manobra.

No Brasil há estudos sobre mortalidade na infância em que se constatou o “engasgo” como uma das principais causas.

O projeto surgiu diante da necessidade inconteste de divulgar os conhecimentos e contribuir na qualificação de profissionais e estudantes para que a população possa ser informada sobre as manobras de primeiros socorros, e sobretudo, sejam instruídas para a execução dessa técnica que pode salvar vidas.

 

Quais as perspectivas de atividades para o próximo ano?

R- A vigência da bolsa do projeto está encerrando em dezembro de 2024. Porém pretendemos pleitear o novo edital para continuar trabalhando, uma vez que, a abordagem educativa em saúde é um ato contínuo e quanto mais pessoas conhecerem sobre as técnicas de desengasgo, mais poderemos contribuir para evitar tais acidentes. No momento atendemos algumas turmas dessas duas escolas públicas de Teixeira de Freitas, mas há muito o que fazer ainda, como: ampliar o atendimento nas escolas, promover ações e eventos para a comunidade nos bairros, nas ruas, e, além dos profissionais da educação e da saúde, instruir também os profissionais que trabalham em restaurantes e refeitórios no comércio de Teixeira de Freitas. Para tanto, pretende-se articular parcerias com outros setores da sociedade.

Na continuação do projeto pretendemos enfocar em elaborar outros materiais educativos, como jogo didático para aplicação nas escolas, e continuar criando outras histórias em formato de fotonovela, com novas aventuras unindo humor, arte e divulgação científica para difundir essas temáticas tão importantes.

Entendemos que não basta apenas criar os materiais, mas é fundamental aplicá-los e colocá-los a avaliação do público escolar, afim de verificar sua adequação e fazer ajustes que se fizerem necessários. Para tanto, esperamos estabelecer parcerias com instituições do município e a UFSB para conseguirmos realizar uma tiragem impressa e materializar mais este objetivo do nosso projeto.

Continuaremos participando de congressos, como já tivemos presentes nas 8as. Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos em 2024 com a comunicação oral intitulada “Processo criativo da elaboração de Fotonovela sobre Primeiros Socorros com foco em desengasgo para aplicação em escolas da Educação Básica”, na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), e pretendemos publicar os resultados deste primeiro ano de trabalho em artigo a ser enviado a revista acadêmica.

Também neste ano, recebemos uma premiação como um dos melhores trabalhos apresentados no VI Congresso de Extensão da UFSB (CONEX), ficando em segundo lugar. E agora, com muita honra e alegria obtivemos esta Moção de Congratulação pela Câmara de Vereadores do município.

Nesse contexto, ressaltamos que ajudas de custo como a bolsa concedida pelo Edital Proex 03/2023 - “Ufsb Com a Escola Pública” e outras possibilidades de aporte financeiro institucional são de fundamental importância para que ações de projeto como o nosso possam ser desenvolvidas.

 

Para mais informações e notícias, siga o instagram: https://www.instagram.com/psnasescolas_ufsb/ 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Entrevista com prof Danielle Barros ao quadro Universidade e você na Rádio Sucesso FM

 Entrevista que foi ao ar hoje na rádio Sucesso FM!


Entrevista com prof Danielle Barros ao quadro Universidade e você na Rádio Sucesso FM 104,9, Teixeira de Freitas -BA falando sobre o II Seminário em Rede da UFSB.



sábado, 11 de julho de 2020

O avanço do novo coronavírus no extremo sul da Bahia - Entrevista Completa - Julho 2020



Lenha na Prosa - O primeiro episódio do podecast conversou com a prof. Drª Danielle Barros Fortuna, professora da Universidade Federal do Sul da Bahia, sobre o quadro do extremo sul baiano frente ao novo coronavírus, que já fez mais 66 mil vítimas em todo o Brasil.
















O podcast que aborda questões atuais em todo o globo a partir da perspectiva regional do Extremo Sul da Bahia. Apresentado por Yago Ferreira (graduando de jornalismo/UFF, Lenha na Prosa traz convidados para debates em que você reconheça, do lado de casa, o que acontece no mundo.


Prof.Drª.Danielle Barros Silva Fortuna é Docente da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Campus Paulo Freire,Teixeira de Freitas-BA. Doutora em Ciências pelo Programa de Pós-graduação em Ensino de Biociências e Saúde (IOC-FIOCRUZ) CAPES/Plano Brasil sem Miséria; Mestre em Ciências - Programa de Pós-graduação em Informação, Comunicação e Saúde do ICICT/FIOCRUZ; Especialista em Ensino de Biociências e Saúde (IOC-FIOCRUZ); Especialista em Análises Clínicas e Gestão Laboratorial (FAMATH); Licenciada em Ciências com habilitação em Biologia (UNEB). Fundadora da ANZINE. Coordenadora dos projetos CiArtE, Jogoteca UFSB e projeto CartoZine (Edital 14/2019). Pesquisadora do LAEPS (UFSB), Fungus Extremus (UNEB), CRIA_CIBER (UFG).
Lattes: http://lattes.cnpq.br/2736451028689135



Link na entrevista editada, postada no canal Lenha na Prosa:

https://anchor.fm/lenhanaprosa/episodes/O-avano-do-novo-coronavrus-no-Extremo-Sul-da-Bahia-eger2p

quarta-feira, 8 de julho de 2020

[Ouça] O primeiro episódio do podcast Lenha na Prosa conversou com a prof.Drª Danielle Barros sobre o quadro do extremo sul baiano frente ao novo coronavírus

Lenha na Prosa - O primeiro episódio do Lenha na Prosa conversou com a prof.Drª Danielle Barros Fortuna, professora da Universidade Federal do Sul da Bahia, sobre o quadro do extremo sul baiano frente ao novo coronavírus, que já fez mais 66 mil vítimas em todo o Brasil.
ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:


 




O podcast que aborda questões atuais em todo o globo a partir da perspectiva regional do Extremo Sul da Bahia. Apresentado por Yago Ferreira, Lenha na Prosa traz convidados para debates em que você reconheça, do lado de casa, o que acontece no mundo.


VERSÃO NA ÍNTEGRA https://youtu.be/2f3E8erG7xo

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Professora Danielle Barros concede entrevista sobre Ciência, Educação e Arte ao fanzine Homem-Leoa - confira!

Entrevista concedida a Virgínia Codá e Vinícius Estrela, componentes da equipe da revista de Biologia Cultural A Bruxa, organizada pelos educadores Elidiomar Ribeiro (UNIRIO) e pela Luci Coelho (UFRJ), do Laboratório de entomologia urbana e cultural da Unirio. O zine Homem-Leoa foi lançado no Mercado Fundição Sustentável, na Fundição Progresso/RJ dia 1 de fevereiro de 2020.

Capa do zine

Zines impressos

Leia o texto de apresentação postado pelo prof Elidiomar:

Com muita felicidade, temos em Homem-Leoa #02 uma entrevista muito legal com a bióloga, fanzineira, desenhista e escritora Danielle Barros, a quem agradecemos. A Dra. Danielle é professora adjunta em dedicação exclusiva da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC), Campus Paulo Freire, em Teixeira de Freitas, Bahia. É doutora em Ciências na área de Ensino de Biociências e Saúde no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/FIOCRUZ), mestre em Ciências no Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT/FIOCRUZ) e licenciada em Ciências com habilitação em Biologia na Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Coordena o "Projeto CiArtE: Ciência, Arte & Ensino" na UFSB. Suas áreas de atuação são: ensino de ciências, práticas pedagógicas, metodologias ativas e formação de professores de Ciências.

Divulgação da entrevista na página do fanzine Homem-Leoa no facebook


Páginas da entrevista no zine

No fanzine, por uma questão de espaço, a entrevista com a Dra. Danielle está resumida, mas aqui na página está na íntegra. Os entrevistadores foram Virgínia Codá e Vinícius Estrela.
Segue a entrevista:

Como você acha que a arte se relaciona com a ciência?

Tenho grande afinidade com este tema e tangenciei essa discussão em minha tese de doutorado, porém vou tentar ser breve!
A interface entre Arte e Ciência ao longo da história da humanidade nos mostra que esses temas eram concebidos de forma simbiótica. Grandes cientistas como Galileu Galilei e Leonardo da Vinci, transitavam pelas vias de conexão entre a ciência e a arte ao desenvolver o conhecimento e comunicá-lo das mais diferentes formas (pintura, música, escultura, desenho, poesia, etc.), deixando legados inestimáveis à humanidade.
Infelizmente, a noção de que a ciência e a arte fazem parte de campos antagônicos permeia a cultura das sociedades contemporâneas ocidentais. Essa ideia de separação é nomeada de “duas culturas” por Snow, e podemos constatar isso pelo distanciamento progressivo entre intelectuais das ciências naturais e das ciências humanas em virtude da crescente especialização disciplinar, que estaria provocando um empobrecimento do potencial intuitivo desses cientistas. Há também, uma visão equivocada e estereotipada de que o cérebro do cientista é somente racional e linear, e que os artistas são apenas “intuitivos” sem se pautar em racionalidades.
Mas sabe aqueles/as grandes artistas ou cientistas que conseguiram mudanças de paradigmas e que moveram o curso da arte ou da ciência? Eles/as não se baseavam apenas em intuição ou racionalidade, mas usaram suas qualidades racionais e emotivas para disseminarem seus manifestos e fundamentar suas teorias.
Lamentavelmente, essa crença de que o artista não utiliza sua racionalidade e apenas utiliza da “intuição” em uma conotação de “improviso”, como se lhe faltasse técnica, estudos e métodos, muitas vezes relega a arte a um status “inferior”, sobretudo no âmbito acadêmico por uma suposta falta de rigor metodológico.
Portanto, reitero que não há uma separação estanque/cartesiana entre razão (racionalidade) e emoção (intuição), uma vez que, ao longo de um processo de trabalho criativo existe uma dinâmica de trocas simultâneas entre o intuitivo e o racional.
Por fim, assim como Root-Bernstein e colaboradores destacam no manifesto ArtScience, publicado em 2011: “quem pratica ArtScience é artista e cientista em simultâneo bem como as criações, que envolvem, transcendem e integram todas as disciplinas e formas de conhecimento”, sinto-me como artecientista, uma vez que minha experiência humana envolve todos os aspectos da vida pessoal, espiritual, acadêmica, artística, nessa minha descoberta na arte. Ciência é arte e arte é vida. Não há separação.

Como você costuma relacionar a ciência com a arte sem perder o conteúdo científico?

Na verdade não consigo ver uma coisa separada da outra, conforme comentei em minha resposta anterior! Vai depender de cada educador/a avaliar em que medida sua abordagem científica/artística vai se aprofundar em relação ao conteúdo científico. Tenho usado inclusive, o processo criativo como um processo AVALIATIVO, na perspectiva das metodologias ativas de ensino. Ou seja, avalio os/as discentes em seus processos de criação, onde elaboro um barema em que vou avaliando cada ponto específico que julgo pertinente (envolvendo tanto aspectos conceituais, quando a capacidade de propor soluções, de trabalhar em equipe, de apresentar-se oralmente, de escrita, etc.), no lugar de provas e testes memorizantes, e tenho avaliado de forma satisfatória. Prova disso é constatar o feedback dos/as alunos/as e os desdobramentos dos trabalhos realizados em sala que tem gerado frutos como: criações de fanzines, quadrinhos, jogos didáticos sobre ciências e essas criações tem se tornado apresentações de trabalhos em eventos acadêmicos e manuscritos para publicação! Fico tão orgulhosa de ver tanta coisa linda e valiosa que eles/as criam!

Que diferenças você notou nos seus alunos após começar a utilizar fanzines nas aulas?

Conforme os próprios relatos deles/as, destaco sobretudo: ampliação da auto estima, pois ao se perceberem criadores/as, muitos se surpreenderam positivamente com os resultados criados; a ampliação da capacidade de auto expressão; a motivação de utilizar fanzines e quadrinhos em sua própria atuação docente; constatar que é possível aprender e fazer ciência com arte; e o prazer, inclusive para a saúde mental, de poder criar durante as aulas no âmbito científico e essa criação ser legitimada no processo avaliativo. Notei também mais alegria e leveza no ambiente acadêmico!

Você acredita que a criação dessas histórias auxilia para a preservação da natureza?

Creio que tudo que é criado nos vincula à criação. O artista e pesquisador Edgar Franco (Ciberpajé) tem uma visão sobre isso que eu concordo e cito aqui. Ele diz que muito dificilmente um criador de mundos ficcionais irá promover a guerra porque quando você cria um mundo, uma cosmogonia, você tem que usar empatia, tem que colocar-se no lugar do outro, pensar como ele poderia estar pensando naquela situação, e isso nos torna menos dogmáticos, mais receptivos à visão de mundo dos outros, mais solidários, menos autocentrados e egocêntricos. Ele conta que quando criou sua trilogia em quadrinhos BioCyberDrama, roteirizada por ele e desenhada por Mozart Couto, criou mais de 100 personagens onde teve que imaginar cada um deles, a visão deles dentro da situação que experienciavam, como se portariam segundo seu histórico de vida, suas personalidades, sua forma física, e portanto teve que vivenciar esses quase 100 papéis, sendo um pouco de todos eles. Franco diz ainda que a cada nova criação ele se sente mais tolerante, menos presunçoso para com as pessoas em geral, sua empatia cresce no mundo real na medida em que surgem novas personagens em seu mundo ficcional.
Então, pegando esse exemplo, se proponho aos/as discentes criarem histórias sobre nossa fauna e flora, eles terão que pesquisar referências anatômicas para desenhar, ou referências sobre ecologia, etologia, habitat etc. para ambientar suas narrativas, e com isso vão descobrindo peculiaridades, curiosidades, belezas, riquezas... Também possivelmente descobrirão que aquele animal em específico está na lista das espécies em extinção, ou já estão extintos, e talvez isso possa fazer emergir dentro de cada um o sentimento de engajamento, indignação, e força para proteger e preservar, para divulgar sua importância, biodiversidade, etc., são muitas as possibilidades de vínculo e aquisição de conhecimento!
Dessa forma, o processo criativo de quadrinhos e fanzines, unindo ciência e arte, constitui-se uma possibilidade de desenvolver, de forma conjunta, uma via em que a aprendizagem é apropriada com um significado, através da experiência. É notório: as aulas, as oficinas de HQs e zines são muito prazerosas! As pessoas juntas recortando, colando, desenhando, pesquisando, criando, superando seus limites (em geral, auto impostos), descobrindo-se artistas de novo (sim, porque sempre fomos, sobretudo quando crianças) e percebendo-se fazendo ciência com arte, é lindo! Ao longo desses anos desenvolvendo oficinas criativas e aulas com ciência e arte, e de acordo com as avaliações dos/as discentes, - com alguns relatos emocionantes-, posso dizer que realmente é transformador!
Para finalizar, Franco ainda sugere aos educadores a implementação de uma disciplina obrigatória chamada “Criação de Mundos Ficcionais” que deveria ser ensinada em todas as séries dos ensinos fundamental e médio (e eu diria no superior também), para ele essa disciplina seria tão importante quanto matemática e português, e eu concordo!
Se eu acredito que a criação dessas histórias auxilia para a preservação da natureza? Sim, pois aquilo que conhecemos, preservamos! Precisamos reaproximar e reconectar o ser humano ao mundo natural, do qual somos parte! Afinal “preservar a natureza” é preservar nós mesmos! O planeta não precisa “ser salvo”, - de acordo com a hipótese de Gaia, proposta pelos grandes cientistas Margulis e Lovelock, - a Terra sempre se regenera em homeostase, nós é que precisamos nos salvar de nossas próprias ações predatórias.
Por fim, quando pensamos que o processo criativo pode nos curar, (como sugere o nome de um fanzine meu “Criar Cura”), deduz-se que seres curados não destroem (nem aos outros nem a si mesmo), então penso que a arte poderia salvar a vida sim.

Como você começou a se envolver com divulgação científica?

Creio que desde sempre! Divulgação científica se dá por diversas formas, sobretudo nos espaços não formais, informais, ou seja, em uma simples conversa despretensiosa sobre um filme, uma série, uma notícia sobre algum tema ligado a ciência, tecnologia, sociedade já é uma forma de divulgar e falar sobre ciência!
Todos nós podemos ser divulgadores científicos, sobretudo, pesquisadores! O ato de pesquisar inicia-se no ato de PERGUNTAR, a partir daí é preciso buscar respostas. Parece fácil tendo o Google e outros mecanismos de buscas atuais, porém como estamos na era da hiperinformação, é importante destacar que nem toda informação é correta, relevante e de qualidade. Então o desafio atual é saber como e onde pesquisar, sobretudo em meio a tantas notícias falsas.
Talvez a falta da divulgação científica seja um dos principais fatores dessa crise que a universidade vive hoje, na qual a população não compreende nem reconhece o valor da ciência e da universidade para a sociedade.
A divulgação científica é um tema que eu amo, e a meu ver é o dever de todo/a cientista tornar acessível o conhecimento científico para a população! De forma geral, minha inserção na divulgação científica se fortaleceu com os quadrinhos e os fanzines científicos e agora está se ampliando com a criação de jogos didáticos, podcasts, HQforismos, arte botânica, ações de educação ambiental, materiais educativos diversos e zines cartoneros.
Continuarei buscando compreender os processos criativos dos cientistas e os processos científicos dos artistas, concebendo a complexidade de ser, e entendendo a arte e a ciência como complementares em suas lógicas, assim como são indissociáveis as dimensões da saúde, da comunicação, e da educação no exercício da cidadania. São essas inquietações e a curiosidade para com o mundo e os multiversos que motivam meus estudos e minha vida.
Agradeço pela oportunidade de poder refletir sobre minhas práticas e falar um pouco dessas reflexões nessa entrevista tão agradável! É uma honra estar nesse zine!

Drª Danielle Barros é professora adjunta em dedicação exclusiva da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC), Campus Paulo Freire em Teixeira de Freitas-BA. Doutora em Ciências na área de Ensino de Biociências e Saúde no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), mestre em Ciências no Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT/Fiocruz) e graduada em Licenciatura de Ciências com habilitação em Biologia na Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Coordenadora do Projeto CiArtE: Ciência, Arte & Ensino na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Área de atuação: ensino de ciências, práticas pedagógicas, metodologias ativas e formação de professores de ciências.

Contatos:
Blog “A Arte da IV Sacerdotisa”: https://ivsacerdotisa.blogspot.com/
Instagram: @projetociarte
E-mail: danielle.fortuna@ufsb.edu.br

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