Entrevistada: Professora Danielle Barros
Por: Heleno Rocha Nazário Jornalista - Mestre em Comunicação Social (PPGCOM/PUCRS) Coordenador do Setor de Jornalismo - ACS
Como funciona
o projeto homenageado? (veja aqui a notícia sobre recebimento de
R-
O projeto Primeiros Socorros nas
Escola, do Edital Proex
03/2023 - “Ufsb Com a Escola Pública” tem como principal objetivo promover,
através de materiais e ações educativas, a capacitação da comunidade escolar
sobre primeiros socorros, com ênfase em episódios de engasgos, com intuito de
sensibilizar acerca da prevenção deste acidente evitável e instruir sobre a
técnica correta da manobra necessária para a ocasião. Atuamos através de ações
educativas por meio de palestras e oficinas em parcerias com escolas da
educação básica e elaboramos materiais educativos.
Em quais
escolas o projeto de primeiros socorros está funcionando?
R- Neste primeiro ano de atuação, o projeto atendeu diretamente duas instituições
de ensino da rede pública de Teixeira de Freitas: o Colégio Estadual
Democrático Ruy Barbosa, onde funciona o Colégio Universitário (CUNI) da UFSB e
o Colégio Estadual Professor Rômulo Galvão (CEPROG). Nossas palestras também
atenderam outros públicos, como professores da rede pública de ensino e servidores
públicos municipais, através de uma parceria com a Secretaria de Saúde da
prefeitura de Teixeira de Freitas. Além dos estudantes da educação básica,
nossas palestras e oficinas também contaram com alunos de universidades e
público da comunidade em geral, pois a ideia é que os conhecimentos sobre o
tema cheguem ao maior número de pessoas possível.
Quantas
pessoas foram beneficiadas pelas atividades extensionistas do projeto?
R- As
ações realizadas tanto nos colégios quanto em espaços para a população em geral
já somam mais de 400 pessoas diretamente beneficiadas pelas atividades, não
estimando as pessoas impactadas de forma indireta através dos materiais
entregues nas palestras, divulgados via redes sociais nem a reprodução do
conhecimento pelos participantes das palestras.
Que técnicas
são ensinadas e quais os riscos mais focalizados pela equipe do projeto?
R- Durante
as ações desenvolvidas, o bolsista instrui teoricamente sobre os tipos de
engasgo, abordando situações de engasgo parcial e total, juntamente com
anatomia e fisiologia da deglutição, sempre de uma forma acessível e até bem-humorada,
com exemplos cotidianos, sem utilizar uma linguagem demasiadamente “técnica”.
As situações são contextualizadas de acordo com o cotidiano da audiência, como
ambientes escolares, refeitórios e até mesmo domicílios.
O
bolsista orienta como proceder diante de um acidente de engasgo, orientando
sobre o contato com socorro especializado, como 193 - Corpo de Bombeiros,192 -
SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e 190 - Polícia Militar, sobre
a forma correta de abordar a vítima e realizar a Manobra de Desengasgo
(Heimlich) e em casos mais graves realização da ressuscitação cardiopulmonar
(RCP) até a chegada do socorro especializado.
As
demonstrações são realizadas através de uma parte prática, utilizando simulação
com bonecos envolvendo a participação do público, o qual tem a oportunidade de
praticar as manobras e tirar dúvidas posteriormente. O projeto tem uma parceria
com o 18º Grupamento do Corpo de Bombeiros, que participou de algumas
palestras, com foco na parte prática, ensinando e demonstrando estas técnicas
de primeiros socorros.
Por
fim, nas ações, disponibilizamos materiais educativos elaborados pelo projeto,
como panfleto impresso com orientações de desengasgo em criança e adultos e a
fotonovela “Vidas em Jogo” com a história “Piada Indigesta”, que por enquanto
está disponível apenas digitalmente para download gratuito, e futuramente
faremos uma tiragem impressa para aplicação e avaliação nas escolas da educação
básica do município.
O que motivou a criação e implantação do projeto extensionista?
R- Em espaços escolares, as primeiras pessoas que irão testemunhar situações que exigem o uso de técnicas de primeiros socorros serão os próprios estudantes e os funcionários da instituição, logo, há a clara importância de os mesmos saberem realizar as técnicas básicas, conforme a situação, até a chegada de um profissional socorrista.
Existe uma lei, a Lei Lucas (13722/18), sancionada em 4 de outubro de 2018, que tornou obrigatória a preparação em primeiros socorros de professores e funcionários de ensino privado e público de educação básica e de estabelecimentos educacionais, porém, na prática, os estabelecimentos brasileiros não estão preparados. Esta Lei surgiu em decorrência de uma fatalidade que ocorreu no ano de 2017 com um menino de 10 anos de idade, Lucas Begalli, estudante de uma escola particular de Campinas/SP, onde, durante um passeio escolar, sofreu engasgamento com cachorro quente e morreu, o que poderia ter sido evitado se tivesse alguém capacitado em fazer uma simples manobra.
No
Brasil há estudos sobre mortalidade na infância em que se constatou o “engasgo”
como uma das principais causas.
O
projeto surgiu diante da necessidade inconteste de divulgar os conhecimentos e
contribuir na qualificação de profissionais e estudantes para que a população
possa ser informada sobre as manobras de primeiros socorros, e sobretudo, sejam
instruídas para a execução dessa técnica que pode salvar vidas.
Quais as
perspectivas de atividades para o próximo ano?
R- A
vigência da bolsa do projeto está encerrando em dezembro de 2024. Porém
pretendemos pleitear o novo edital para continuar trabalhando, uma vez que, a
abordagem educativa em saúde é um ato contínuo e quanto mais pessoas conhecerem
sobre as técnicas de desengasgo, mais poderemos contribuir para evitar tais
acidentes. No momento atendemos algumas turmas dessas duas escolas públicas de
Teixeira de Freitas, mas há muito o que fazer ainda, como: ampliar o
atendimento nas escolas, promover ações e eventos para a comunidade nos
bairros, nas ruas, e, além dos profissionais da educação e da saúde, instruir também
os profissionais que trabalham em restaurantes e refeitórios no comércio de
Teixeira de Freitas. Para tanto, pretende-se articular parcerias com outros
setores da sociedade.
Na
continuação do projeto pretendemos enfocar em elaborar outros materiais
educativos, como jogo didático para aplicação nas escolas, e continuar criando outras
histórias em formato de fotonovela, com novas aventuras unindo humor, arte e divulgação
científica para difundir essas temáticas tão importantes.
Entendemos
que não basta apenas criar os materiais, mas é fundamental aplicá-los e colocá-los
a avaliação do público escolar, afim de verificar sua adequação e fazer ajustes
que se fizerem necessários. Para tanto, esperamos estabelecer parcerias com
instituições do município e a UFSB para conseguirmos realizar uma tiragem
impressa e materializar mais este objetivo do nosso projeto.
Continuaremos
participando de congressos, como já tivemos presentes nas 8as. Jornadas
Internacionais de Histórias em Quadrinhos em 2024 com a comunicação oral
intitulada “Processo criativo da elaboração de Fotonovela sobre Primeiros
Socorros com foco em desengasgo para aplicação em escolas da Educação Básica”, na
Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), e
pretendemos publicar os resultados deste primeiro ano de trabalho em artigo a
ser enviado a revista acadêmica.
Também
neste ano, recebemos uma premiação como um dos melhores trabalhos apresentados
no VI Congresso de Extensão da UFSB (CONEX), ficando em segundo lugar. E agora,
com muita honra e alegria obtivemos esta Moção de Congratulação pela Câmara de Vereadores
do município.
Nesse
contexto, ressaltamos que ajudas de custo como a bolsa concedida pelo Edital
Proex 03/2023 - “Ufsb Com a Escola Pública” e outras possibilidades de aporte
financeiro institucional são de fundamental importância para que ações de
projeto como o nosso possam ser desenvolvidas.
Para mais informações e notícias, siga o instagram: https://www.instagram.com/psnasescolas_ufsb/
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