domingo, 20 de setembro de 2015

Entrevista com a IV Sacerdotisa Danielle Barros - artista e pesquisadora - ao projeto Iffanzine

O pessoal do projeto IFanzine - projeto de extensão do IFF Macaé/RJ capitaneada pelo educador e artista Alberto Souza, que realiza um lindo trabalho com fanzine e educação, fez uma extensa entrevista comigo que está sendo publicada em partes no blog do projeto IFANZINE, confira aqui a entrevista publicada na íntegra! As perguntas foram elaboradas pela bolsista Nathália Campanário!

1. Como você começou a desenhar? Foi desde a infância, foi a partir de influência de amigos?

Desde criança! Sempre gostei de desenhar, esculpir, pintar, encenar, simular programas de rádio (gravava fitas), entrevistas, e, sobretudo sempre gostei de ler. Além de ser incentivada por minha mãe na parte dos desenhos, meu pai era dono de uma banca de jornal e revistas em Salvador - BA, e sempre convivi com este universo de revistas, jornais, periódicos, história em quadrinhos. Posso dizer que minha pré alfabetização foi a partir da leitura de gibis.

Eu tinha uma pasta onde guardava meus desenhos, e ainda pequena fiz minhas próprias revistas (meus primeiros fanzines, sem saber). 

Imagem 1 - Eu com 6 anos em Salvador com minha prima Michele, exibindo meu desenho

Imagem 2 - Uma das minhas primeiras revistas artesanais montada a partir de recorte de gibis
Imagem 3 - Cesto de cartas que trocava com primas e amigas (zineira desde pequena sem saber!)

Por algum motivo parei de desenhar e fiquei anos sem fazê-lo. Em 2012 conheci o Ciberpajé Edgar Franco, artista renomado e professor da Universidade Federal de Goiás, a quem devo a retomada de meus desenhos, por seu incentivo. No final de 2013 comecei a fazer alguns rascunhos, e em 2014 surgiu minha primeira criação de personagem, a índia Sibilante.

Imagem 4 - Desenho de 2013

 Imagem 5 - Primeiros desenhos de Sibilante




Imagem 6 - Primeiros desenhos de Sibilante

Desde então tenho seguido criando, já ilustrei mais de onze fanzines, tenho minha arte estampada em ecobags e imãs feitos como itens promocionais do fanzine Sibilante II, e até ilustração de capa do primeiro livro editorado pela ASPAS (Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial), com a parceria do Ciberpajé Edgar Franco que coloriu a ilustração!

 Imagem 7 - Ilustração que se tornou capa do primeiro livro editorado pela ASPAS editora



Imagem 8 - Capa de livro com minha ilustração e colorido por Edgar Franco


2. Tem pessoas na sua vida real que você costuma representar nos seus quadrinhos?

De certa forma sim, mas não diretamente. Em relação aos desenhos, por exemplo, costumo utilizar fotografias como referência, tanto no aspecto da anatomia quanto para elaborar os cenários, mas procuro transformá-los, ou seja, não reproduzo literalmente uma imagem utilizada como referência no desenho. Então por mais que haja influência externa, tudo que eu crio tem características únicas que são criadas durante o ato criativo. Em relação aos personagens também, tanto nos roteiros quanto nos traços das personas, trago a influência do que vivencio em minhas experiências de vida, em histórias, e personalidades que convivo e observo na sociedade.

        3. Qual a sua relação com o fanzine? Como você descobriu?

Minha relação com os fanzines veio junto com esta retomada ao desenho. Eu nem conhecia o que era fanzine, até que o Ciberpajé Edgar Franco me provocou a criar um com a produção dos desenhos que vinha desenvolvendo. Como eu estava iniciando a organização do livro “Aforismos do Ciberpajé”, e na época estávamos elaborando um conceito novo de quadrinhos chamado HQforismos, tive a ideia de selecionar alguns aforismos de Franco e desenhar minhas interpretações visuais deles, para compor HQforismos. Então em 2013 lancei meu primeiro fanzine “Abismos do Lobo” no Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), com tiragem limitada de 50 exemplares numerados, é também considerado o primeiro fanzine de HQforismos. – Saiba mais sobre este fanzine aqui: http://ciberpaje.blogspot.com.br/2014/06/fanzine-abismos-do-lobo-que-homenageia.html

Imagem 9 - Abismos do Lobo I

Imagem 10 – Lançamento de Abismos do Lobo I durante o FIQ, 2013.

Leia os os textos postados em nosso blog sobre o Abismos do Lobo 2!



Em 2014 surgiu o fanzine “Sibilante Grimoirezine Poético Filosófico”, 28 páginas com HQs e HQforismos feitos por mim e tiragem até o momento de 600 cópias. Saiba mais sobre este fanzine aqui: http://ciberpaje.blogspot.com.br/2014/06/lancamento-do-fanzine-sibilante.html
A repercussão deste zine gerou um outro, com 16 páginas, a “Coletânea de resenhas sobre Sibilante” com comentários dos leitores/as, textos e reportagens sobre Sibilante. Em 2015 lancei BiocienSaúde, fruto da I Oficina de HQ e fanzine de Biociências e Saúde com alunos de Graduação em Ciências Biológicas da UNEB, 32 páginas, a ilustração de capa feita por mim e miolo com HQ criadas pelos alunos com temas diversos ligados a Biociências e Saúde.

Imagem 11 – Fanzine Sibilante Grimoirezine Poético Filosófico e Coletânea de resenhas sobre Sibilante

Imagem 12 – Fanzine BiocienSaúde

Aliando minha paixão por quadrinhos e fanzines à minha vida acadêmica,- conexão esta que comecei a desenvolver durante a monografia de especialização em Ensino de Biociências e Saúde em 2012, onde elaborei, junto com os alunos uma HQ estilo mangá sobre Tuberculose e um folder sobre criação de quadrinhos-, agora dou continuidade em minha tese de doutorado, ao incluir as oficinas criativas como parte de minha pesquisa.

 Imagem 13 – HQ Educativa sobre Tuberculose e folder sobre como criar HQs


Desde esse primeiro trabalho com HQ educativa, comecei a pensar formas de utilizar essa arte no ensino de ciências. Entretanto, apesar de perceber o potencial criativo e educacional das oficinas de quadrinhos e fanzines, assim como Paulo Freire problematiza sobre a “práxis”, questionei-me: “Como poderia propor a criação de HQ e fanzines se eu mesma não soubesse,- não apenas na teoria,- mas também na prática, a fazê-los?”. Me propus a tentar e desde então tenho seguido criando.
Também no primeiro semestre de 2015 lancei o minizine HQcrônicas I, 8 páginas, formato A6, o zine traz questões do cotidiano discutidas por mais de um viés de olhar, com reflexões críticas e filosóficas sobre a vida. A temática abordada neste primeiro número foi “traição”.

Sagrado Femizine, formato A5, 16 páginas com reflexões poéticas através de textos e imagens sobre a luminosidade e nigredo feminino e sua conexão com Gaia. Inclusive estes dois fanzines, o HQcrônicas e Sagrado Femizine tiveram belas resenhas postadas no blog do projeto IFFANZINE!

 Imagem 14 – Fanzine HQcrônicas, BiocienSaúde, Sagrado Femizine e Uivo 3 (foto enviada por José Loures)

Imagem 15 – Fanzines Equilíbrio Dinâmico I e II

Em parceria com Edgar Franco lançamos 2 edições de Equilíbrio Dinâmico, formato A6, 8 páginas com HQforismos sobre o princípio da Polaridade inspirado no Caibalion.
Mais recentemente lancei Sibilante Grimoirezine Poético Filosófico II (com tiragem limitada de 93 exemplares numerados, capa confeccionada artesanalmente costuradas à mão, formato A6, 28 páginas) e Conexões Sibilantes (zine com participação de diversos artistas, formato A6, 16 páginas, p&b, costurado à mão). Saiba mais sobre este fanzine aqui: http://ciberpaje.blogspot.com.br/2015/05/sibilante-grimoirezine-poetico.html

Imagem 16 – Sibilante Grimoirezine Poético Filosófico II

Vale destacar que no VIII Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual na Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (FAV/UFG), um ano depois do lançamento da 1ª edição, levei Sibilante II para promover durante o evento, onde participei, desta vez, apresentando trabalho sobre o processo criativo de uma das HQs publicadas em Sibilante I. O título da comunicação oral foi “Irmãs de Jornada: Sibilante e a busca do Sagrado Feminino”, onde situei conceitualmente sobre os quadrinhos autorais, os fanzines, o gênero poético filosófico onde minhas criações se encaixam, falei brevemente sobre o conceito criado por mim e Edgar Franco, os HQforismos (a união de aforismos e a linguagem quadrinhistica) e finalmente tratei das inspirações criativas e o método da construção da narrativa “Irmãs de Jornada” que contou com o roteiro de Franco e ilustrações minhas.

 Imagem 17 – Foto durante comunicação oral no VIII Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual sobre Sibilante. Fotos de José Loures

  Imagem 18 – Foto durante comunicação oral no VIII Seminário Nacional de Pesquisa em Arte e Cultura Visual sobre Sibilante. Fotos de José Loures

Outro ponto pertinente a destacar, foi que partir das temáticas abordadas em Sibilante, entre elas, a do Sagrado Feminino, apresentei-me no I evento destinado às mulheres nos quadrinhos, o I Lady´s Comics, em Belo Horizonte. Saiba mais sobre este evento aqui: http://ciberpaje.blogspot.com.br/2014/10/iv-sacerdotisa-da-aurora-pos-humana.html
Sibilante e meus fanzines circulam em eventos acadêmicos e não acadêmicos em minhas viagens, e também chegaram por correio a todas as regiões do país - e a outros 11 países - para pessoas que adquiriram, e também envios voluntários a fanzinotecas, artistas e educadores/as.
Voltando a falar dos fanzines criados neste ano, tem o MiniPortfoliozine da IV Sacerdotisa da Aurora Pós-Humana com 32 páginas, formato A8 com seleção de ilustrações minhas, algumas ainda inéditas, outras publicadas em zines, HQs, capa de livro, etc. criadas entre 2014 e 2015. O próximo lançamento será a segunda edição de Abismos do Lobo, com aforismos de Edgar Franco ilustrados por mim, mantendo a proposta dos HQforismos. Tem outras novidades, mas por enquanto ficam como surpresa!

 Imagem 19 - MiniPortfoliozine da IV Sacerdotisa da Aurora Pós-Humana

 Imagem 20 – Fanzines Da Aurora Pós-Humana (Foto enviada por Alexandre Carlos)

(o que posso adiantar é que os próximos lançamentos serão anunciados nas 2as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos em agosto, e no FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos em novembro deste ano)

4. O que você mais gosta no seu trabalho?

Sobre meu desenho (sempre digo que tem diversos estágios de evolução!), às vezes falo que alguns desenhos são “rudimentares”, sobretudo os primeiros feitos em 2014, mas isso não significa que estou desmerecendo–os, pelo contrário, eles estão em meus fanzines e eu tenho orgulho de exibí-los pois são parte de meu processo de aprendizado. Mas eu sou realista, alguns são belos, outros nem tanto! Lembro-me do meu orgulho ao mostrar desenhos do meu primeiro fanzine Abismos do Lobo a meus colegas quando desenhava durante as aulas das disciplinas do doutorado. E hoje quando vejo esses desenhos é indiscutível meu avanço, como eu disse, não me envergonho deles, são parte da minha história. 

 Imagem 21 - Desenho de 2013 

Imagem 22 - Desenho de 2015

Imagem 23 – Minha ilustração estampou as pastas do II Entre ASPAS, Encontro de Pesquisadores em Arte Sequencial, 2015

Assim como meus desenhos de hoje, que acho ótimos e adoro fazê-los, sei que se eu continuar (e vou) desenhando, logo olharei para eles e verei as limitações. Mas o importante não são as limitações e sim as superações, e principalmente o ato em si de criar, é um transe artístico que considero um “ritual” parte de minha vida. O que eu gosto em meu trabalho é fazer dele minha vida, criação.
Meu sonho não é estar nas bancas, submetida aos ditames mercadológicos e editoriais que castram nossa liberdade criativa e expressiva, meu sonho é chegar até as pessoas que buscam arte visceral e genuína, é poder criar sempre. Não almejo lucros. Se ao menos eu conseguir captar os gastos com as despesas (material de desenho, impressões, xerox e correio) já é o suficiente para me deixar muito feliz e motivada! Também me realizo participando de fanzines de artistas que me convidam a ilustrar ou enviar HQ, como a Peibê, Gibiozine, fanzine Quadritos e até a revista Artlectos e Pós-Humanos 8 de Edgar Franco em que participei com HQforismo!

Imagem 24 – Eu e a Artlectos e Pós-Humanos 8

Imagem 25 – Eu e o Ciberpajé Edgar Franco durante a Feira de Publicações independentes no II Entre ASPAS

Eu adoro montar os zines, manusear guilhotina, grampeadores, ensacar, envelopar, escrever bilhetinhos que acompanham os envelopes! Amo desenhar, escrever poemas, o tempo passa e eu nem vejo! Meu maior sonho é poder continuar fazendo isso, sem que eu precise "tirar do meu bolso" sempre, quero chegar a uma arte ‘auto sustentável’, em todos os sentidos!

 Imagens 26 e 27 - Produção dos zines

Imagens 28 e 29 - Escrever os textos, desenhar, escolher o papel e fitas, cortar e colar as capinhas, colar fitinhas douradas na moldura, costurar as páginas. Mergulhar no mundo dos fanzines é descobrir a arte que vive em cada um de nós.

Imagens 30 e 31 – Preparação de envio de fanzines e HQs e Ilustrações minhas estampadas em Ecobags para Sibilante II

Então a possibilidade de poder criar livremente sem censuras editoriais, disseminar meus pensamentos, desenhos, poesias através dos fanzines e quadrinhos, e nas oficinas que ministro em diversas oportunidades e espaços, incentivando as pessoas a criarem e descobrir sua própria forma de expressão artística, para mim é o mais importante!

 Imagem 32 – Oficinas de fanzines e quadrinhos

Para finalizar, é importante dizer que a arte permeia toda minha vida, então incluir os quadrinhos e fanzines em minha vida acadêmica foi algo natural. Da mesma forma, os frutos que estão surgindo são puros e genuínos, consequência da minha dedicação e amor ao que faço. Prova disso são as publicações recentes sobre quadrinhos e zines em capítulos de livros publicados este ano: o capítulo "Agartha: Processo Criativo de uma HQ Poético-Filosófica Sobre o Éden Mítico" (Edgar Franco e Danielle Barros)” no livro “Religiosidades nas Histórias em Quadrinhos”, da ASPAS Editora; os capítulos “Histórias em Quadrinhos, Performance e Vida: Da Aurora Pós Humana à “Ciberpajelança” (Edgar Franco e Danielle Barros) e “Oficina de Histórias em Quadrinhos em sala de aula: Produção de HQ pelos alunos de uma escola pública em Rio Branco - Acre” (Danielle Barros), no livro "Arte Sequencial em Perspectiva Multidisciplinar" (na qual eu ilustrei a arte da capa, com cores e projeto gráfico do Ciberpajé) da ASPAS Editora; e o capítulo “BIOCIENSAÚDE - Quadrinhos e Fanzines no ensino de Ciências e Saúde: História de uma Trajetória e de suas descobertas”, p. 61-90 (Danielle Barros Silva Fortuna, Tânia Cremonini de Araújo-Jorge e Paulo Roberto Vasconcellos-Silva), no livro “Quadrinhos e Educação: Vol1: Relatos de Experiência e Análises de Publicações”, da Editora Faculdade Guararapes. Além das publicações, eu oriento um projeto “BIOSSEGURANÇA LABORATORIAL EM QUADRINHOS”, composto com três alunas de graduação em Ciências Biológicas da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) que tem o objetivo de elaborar, por meio de processo participativo, manual de Boas Práticas Laboratoriais (BPL) em formato de História em Quadrinhos. 

Imagem 33 - Livro publicados em que participei

Como se não bastasse tantos capítulos de livros (!), ainda tive a honra de ser co autora com o artista e prof. Dr. Edgar Franco (UFG), do livro “Processos criativos de Quadrinhos Poético-filosóficos: a revista Artlectos e Pós-humanos” da Editora Marca de Fantasia, ligada ao NAMID – Núcleo de Artes Midiáticas do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFPB. Então ao começar a fazer o que eu amo, a vida começou a fluir, e tudo converge para a arte!

Imagem 34 - Livro publicado em que sou co-autora

5. O que te inspira a criar?

O que me inspira a criar é o que me inspira a viver. É a vida, a morte, o Cosmos, e todos os renascimentos que vivencio diariamente.

Imagem 35 – Inspiração (foto tirada no Museu de Ciência e Tecnologia PUC-RS)


 6. Uma característica marcante nas suas HQs?

Minhas criações tem como personagem principal a índia Sibilante, as histórias vivenciadas por ela narram sua busca contra a face obscura do ego e pela transcendência. A problemática que enfatizo em minhas criações diz respeito ao momento em que vivemos hoje, um mundo regido pela fragmentação dos processos, das pessoas e relacionamentos e com isso, como consequência, temos a degradação dos seres, a desconexão com a natureza e da essência do eu interior. 

 Imagem 36 – Desenho da IV Sacerdotisa

Imagem 37 – Desenhos da IV Sacerdotisa

Essa desconexão tem gerado sofrimento, guerras e egocentrismo, pois a manifestação da falta de auto amor é a destruição de si e de outros seres. A meu ver é preciso questionar e reverter os valores vigentes na sociedade, entretanto isso só é possível a partir de uma auto revolução. Nesta perspectiva, eu uso a arte como forma de (auto) revolução e como forma para sensibilizar as pessoas sobre essas questões, na perspectiva da arte como cura e fonte de sentido à vida.

 Imagem 38  – Desenho da IV Sacerdotisa

 Imagem 39  – Desenhos da IV Sacerdotisa

Em suma, a característica marcante em minhas obras é enfatizar a busca de Sibilante no Caminho do autoconhecimento a partir do confronto entre o eu imaginado (o ego forjado pela cultura), e o eu essencial (a descoberta do ser cósmico), e todas as dores e êxtases desse processo. E para tanto, utilizo os quadrinhos e fanzines como forma de expressão artística e experimentalismo do gênero Poético Filosófico para retratar essa jornada cósmica.

7.Você considera que tem um estilo próprio?

Parafraseando o mestre Edgar Franco, não busco ter um “estilo” próprio, pois existem artistas que quando conseguem sucesso em determinada “técnica”, traço, ou forma de expressão, permanece criando da mesma forma e acaba estagnado, deixando de experimentar novas formas de expressão. Procuro aprender a cada dia e meu traço tem mudado muito em um curto espaço de tempo. Tenho vontade de pintar aquarela, usar corel draw, photoshop, aprender esculpir em madeira, e tantas outras coisas que ainda não sei, e estou sempre buscando ampliar meus conhecimentos e formas de expressão! Desta forma imagino que não tenha um “estilo”, e confesso que este não é meu objetivo. 

Imagem 40 – Pintura da IV Sacerdotisa em tinta guache

Imagem 41 – Pinturas da IV Sacerdotisa em tinta guache

Quem cria livremente não cria nenhuma limitação técnica ou de nenhuma outra ordem, cria onde e como for! Quem pode dizer se eu tenho um “estilo próprio” talvez seja o público... Devolvo a pergunta às leitoras e leitores de minhas criações!

Imagem 42 - IV Sacerdotisa Danielle Barros e Beralto, o Alberto Sousa durante o II Entre ASPAS, 2015.

Gostaria de agradecer a toda equipe do projeto IFFANZINE, as bolsistas Kezia Campos, Nathália Campanaro, Sara Gaspar, o bolsista Raphael Viana, e ao coordenador deste lindo e prolífico projeto, o grande Beralto, também conhecido como Alberto de Souza! Tenho que dizer que é sempre uma honra participar deste projeto, contem sempre comigo. Gostaria de ressaltar que tenho uma fanzinoteca itinerante que levo sempre em minhas oficinas de quadrinhos e fanzines e divulgo a arte autoral das pessoas que me enviam suas criações, quem quiser me enviar, retribuo com meus zines (meu endereço postal consta ao final da entrevista!).
Por fim, parabenizo pelo lindo e sério trabalho que vocês estão desenvolvendo! Gratidão, IV Sacerdotisa.

Danielle Barros é IV Sacerdotisa da Aurora Pós-Humana (Universo ficcional mágicko criado pelo artista Edgar Franco, o Ciberpajé), desenhista, poetisa e fanzineira. Bióloga (UNEB), mestre em Ciências (ICICT/Fiocruz) e doutoranda em Ensino de Biociências e Saúde (IOC-Fiocruz) - bolsista CAPES/Plano Brasil sem Miséria. Criou os fanzines Abismos do Lobo (2013); Sibilante Grimoirezine Poético Filosófico (2014); HQcrônicas; Sagrado Femizine; BiocieSaúde; Sibilante Grimoirezine Poético Filosófico II; Conexões Sibilantes e MiniPortfoliozine da IV Sacerdotisa da Aurora Pós-Humana (2015), entre outros. Co-autora com Edgar Franco do livro “Processos criativos de Quadrinhos Poético-filosóficos: a revista Artlectos e Pós-humanos” da Editora Marca de Fantasia (UFPB), 2015.

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